domingo, 23 de agosto de 2015

Veredito



Posso até mesmo estar sendo injusto, emitindo um julgamento errado. Mas meu veredito é culpada! 

Culpada por ter entrado na minha cabeça e não ter saído mais. Culpada por perturbar meu sono e se misturar aos meus sonhos. Culpada por trazer no seu sorriso um raio que mesmo me partindo ao meio me faz sentir o homem mais inteiro do mundo.

Culpada por acender tochas onde antes só era escuridão. Culpada por aquecer meu inverno com apenas a intenção de um abraço. Culpada por me dar do teu olhar uma doçura sem igual e um veneno necessário à sobrevivência.  

És culpada por fazer a terra se mexer. Ainda que ninguém mais o sinta, eu sinto, e isto basta! 

És culpada por manter todas as coisas suspensas. O céu, o  mar, o tempo, a luz, as estrelas. Culpada por me embebedar com palavras inofensivas. Por bombardear a esmo as minhas cidades e depois reconstruí-las uma a uma.  

Culpada por me fazer aprender a viver sem ar, sem bússola, e ainda sim conseguir de mim a absolvição. 

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